No dia 14 de março de 2025, um escritório de contabilidade em Salvador perdeu acesso a todos os seus arquivos. Um ransomware se infiltrou pela estação de trabalho de um colaborador que clicou em um link aparentemente inofensivo. Em 40 minutos, o malware se espalhou pela rede e criptografou servidores, estações e até o HD externo que servia como backup. O escritório levou 23 dias para retomar a operação completa — e perdeu dois clientes no processo.
Esse caso não é exceção. É estatística. Segundo relatório da IBM, o tempo médio para recuperação total de um incidente cibernético em empresas sem plano de disaster recovery é de 287 dias. Com um plano estruturado, esse tempo cai para menos de uma semana.
O que é disaster recovery e por que toda empresa precisa
Disaster recovery — ou recuperação de desastres — é o conjunto de políticas, ferramentas e procedimentos que permitem a uma empresa restaurar seus sistemas e dados após um incidente grave. O objetivo é minimizar o tempo de inatividade e a perda de dados, garantindo que a operação volte ao normal o mais rápido possível.
O termo pode soar dramático, mas os desastres que ele cobre são bastante cotidianos: falha de hardware, exclusão acidental de arquivos, ataque de ransomware, queda prolongada de energia, falha de atualização de sistema e até erro de configuração. Qualquer um desses eventos pode paralisar uma empresa que não esteja preparada.
Dois indicadores definem a qualidade de um plano de disaster recovery. O RTO (Recovery Time Objective) determina o tempo máximo aceitável para restaurar a operação. O RPO (Recovery Point Objective) define a quantidade máxima de dados que pode ser perdida. Uma empresa que faz backup diário tem RPO de 24 horas — ou seja, pode perder até um dia inteiro de trabalho.
Os componentes de um plano eficiente
Um plano de disaster recovery eficiente é construído sobre três pilares: backup confiável, infraestrutura de recuperação e procedimentos documentados.
O backup é a fundação. Soluções profissionais de backup em nuvem para empresas garantem cópias automáticas, criptografadas e armazenadas em localização geográfica diferente do ambiente de produção. A regra 3-2-1 continua sendo o padrão: três cópias, dois tipos de mídia, uma cópia offsite.
A infraestrutura de recuperação define como os sistemas serão restaurados. Pode ser tão simples quanto a reinstalação a partir de backups ou tão sofisticada quanto a ativação de réplicas em nuvem que assumem a operação automaticamente em caso de falha do ambiente principal.
Os procedimentos documentados são o componente mais negligenciado. Saber o que fazer, em qual ordem, com qual ferramenta e quem é responsável por cada etapa faz a diferença entre uma recuperação em horas e uma recuperação em semanas.
Os erros mais comuns que invalidam o plano
O erro número um é não testar. Um plano de disaster recovery que nunca foi testado é uma aposta. A única forma de saber se a recuperação funciona é simulando o incidente periodicamente. A Global Data Solutions recomenda testes completos de restauração a cada trimestre e testes parciais mensalmente.
O segundo erro é confiar exclusivamente no backup local. HDs externos, NAS e fitas armazenados no mesmo escritório são vulneráveis aos mesmos riscos que ameaçam o ambiente de produção. Se o escritório sofre um incêndio, backup e dados originais são perdidos juntos.
O terceiro erro é não incluir ambientes em nuvem no plano. Muitas empresas que migraram para Microsoft 365 ou Google Workspace acreditam que seus dados estão automaticamente protegidos. Mas os provedores de nuvem não fazem backup dos dados do cliente — apenas garantem a disponibilidade da plataforma.
Disaster recovery como serviço
Para a maioria das PMEs, montar uma estrutura completa de disaster recovery internamente é inviável. A alternativa é contratar o serviço de forma gerenciada: o provedor configura, monitora e testa o ambiente de recuperação, garantindo que esteja sempre funcional.
Nesse modelo, a empresa paga um valor mensal previsível e recebe em troca a garantia de que, independentemente do tipo de incidente, a operação será restaurada dentro dos tempos definidos em contrato. É como um seguro de TI — com a diferença de que funciona de verdade quando acionado.
Segundo a equipe técnica da Global Data Solutions, o investimento em disaster recovery como serviço representa, em média, menos de 5% do orçamento total de TI de uma PME. Considerando que o custo médio de um incidente não planejado supera R$ 100 mil, o retorno é evidente.
Prepare-se antes que precise
A melhor hora de implementar um plano de disaster recovery é antes do primeiro incidente. Empresas que esperam o problema acontecer para agir pagam um preço muito mais alto — financeiro, operacional e reputacional.
O primeiro passo é mapear os sistemas críticos e definir os tempos de recuperação aceitáveis. A partir daí, dimensionar a solução de backup e recuperação que atenda a essas necessidades. Com planejamento adequado, qualquer empresa pode ter a resiliência necessária para enfrentar imprevistos sem colocar a operação em risco.
